Intoxicação por chocolate em cães

A época da Páscoa, quando encontramos chocolate em todo o lugar, é também a época mais crítica para intoxicação em cães por chocolate.

Poderíamos pensar:

“Se eu posso comer chocolate, por que meu cachorro não pode?”.

Precisamos saber que o chocolate possui ingredientes que são metabolizados de forma diferenciada no organismo de humanos e animais.
O chocolate é composto por carboidratos, aminas biogênicas, neuropeptídeos e metilxantinas (cafeína e teobromina). São as metilxantinas as responsáveis pela intoxicação em cães.
A teobromina é rapidamente absorvida após a ingestão oral e é um poderoso estimulante do sistema nervoso central e coração. A quantidade de teobromina presente no chocolate varia de acordo com
o tipo, quanto mais escuro for o chocolate, mais teobromina possui e consequentemente maior o risco de intoxicação.
A dose tóxica para cães é em torno de 100 a 150 mg/kg e a dose letal situa-se em torno de 250 a 500 mg/kg.

• Chocolate ao leite: 154 mg de teobromina/100g

• Chocolate de bolo: 528 mg de teobromina/100g

• Chocolate meio amargo: 1365 mg de teobromina/100g

Geralmente os efeitos da intoxicação são percebidos entre 6 e 12 horas após a ingestão. Em grandes quantidades no organismo do cão, a teobromina causa excitação, hipertensão moderada, bradicardia ou taquicardia, arritmias, tremores, ofegância e incontinência urinária. Em quadros mais graves, poderemos observar redução da temperatura corporal, coma e morte.
As quantidades tóxicas não precisam ser ingeridas de uma só vez, já que a teobromina pode permanecer no organismo por até seis dias.
A intoxicação ocorre com maior frequência em animais de pequeno porte, pois há maior quantidade de chocolate disponível em relação ao peso corporal do animal. É também mais comum em animais mais jovens e filhotes.
A intoxicação por chocolate é uma emergência médica e a intervenção do médico veterinário se faz necessária. O tratamento é difícil e visa estabilizar as funções vitais do organismo de acordo com a sintomatologia que está ocorrendo, já que não existe antídoto para intoxicação por teobromina.
Essa intoxicação encontra-se entre os vinte envenenamentos mais comuns descritos na literatura recente pelo National Animal Poison Control Center (EUA). Aqui no Brasil não há dados estatísticos oficiais.
Para quem não resiste à tentação de dar um chocolate para seu cão, é confortante saber que já existem no comércio formulaçõesespecíficas para cães e que se assemelham ao chocolate, mas não tem teobromina na sua composição. São feitos basicamente com extrato protéico vegetal, gordura vegetal, soro de leite, corantes, aroma de cacau e outros componentes não tóxicos aos cães.

Liége Dembinski
Médica Veterinária
CRMV-RS: 09067